“O Agente Secreto” chega ao Oscar com 4 indicações e empurra o Brasil para o centro da disputa
Los Angeles / Recife — O cinema brasileiro amanheceu em modo de decisão nesta quinta-feira (22): “O Agente Secreto” (“The Secret Agent”) foi anunciado entre os indicados do 98º Oscar e entra na reta final com quatro nomeações — um pacote raro que coloca o filme, ao mesmo tempo, na briga pelo prêmio máximo e em categorias-chave de prestígio artístico e industrial. A cerimônia acontece em 15 de março de 2026, no Dolby Theatre, em Hollywood.
As quatro indicações são:
- Melhor Filme (Best Picture) — com a produtora Emilie Lesclaux creditada no anúncio da Academia.
- Melhor Filme Internacional (International Feature Film) — representando oficialmente o Brasil.
- Melhor Ator — Wagner Moura é o nome brasileiro na principal categoria de interpretação masculina.
- Casting — a recém-criada categoria que estreia no Oscar e reconhece a direção de elenco; Gabriel Domingues aparece como indicado pelo trabalho em “The Secret Agent”.
A combinação chama atenção por um motivo simples: não é comum um filme falado em português chegar simultaneamente à lista de Melhor Filme e, ainda, cravar atuação e casting — uma leitura de força que normalmente indica campanha consistente, boa circulação entre votantes e “vida longa” na temporada.
Por que essas indicações pesam (e o que elas dizem sobre o filme)
1) Melhor Filme: o “andar de cima” do Oscar
Estar em Best Picture é, na prática, acessar a vitrine mais concorrida do ano. O impacto não se limita ao tapete vermelho: essa indicação tende a multiplicar salas, ampliar distribuição internacional e “reapresentar” o título ao grande público — inclusive fora do circuito cinéfilo.
No anúncio oficial, “The Secret Agent” aparece entre os indicados a Melhor Filme, com crédito de produção para Emilie Lesclaux.
2) Melhor Filme Internacional: o Brasil como candidato “de verdade”
Na categoria internacional, o longa aparece como a indicação do Brasil. Antes disso, o filme já havia sido escolhido para representar o país na corrida pelo Oscar.
O simbolismo é direto: o Brasil não está apenas “no páreo”; está com um título que atravessou a temporada inteira acumulando tração até virar candidato em mais de uma frente.
3) Melhor Ator: Wagner Moura no núcleo duro da disputa
A Academia colocou Wagner Moura entre os cinco indicados a Ator em Papel Principal.
Esse tipo de nomeação costuma funcionar como atalho emocional para o público (“o filme do ator indicado”) e, internamente, como prova de que a obra foi vista e lembrada em votação preferencial.
4) Casting: a nova categoria que muda o mapa
A estreia do prêmio de Achievement in Casting (também chamado de “Oscar de Casting”) é uma das novidades desta edição — e “The Secret Agent” já entra como um dos primeiros títulos a disputar a estatueta.
No anúncio da Academia, o filme aparece indicado com Gabriel Domingues.
Na prática, é um reconhecimento do “DNA” do elenco: escolhas de atores, mistura de perfis, química entre personagens, e a capacidade de tornar crível um mundo histórico e político sem soar didático.
O que o Oscar está lendo em “O Agente Secreto”
Parte do que impulsiona o filme é o modo como ele se encaixa no “radar temático” da Academia sem parecer feito sob encomenda: é drama político, com tensão de época, e um protagonista perseguido num Brasil marcado pela repressão. A Associated Press descreve a história como a de um pai viúvo perseguido durante o regime militar nos anos 1970, e aponta como a recepção do filme reacendeu conversas nacionais sobre autoritarismo e memória.
Isso ajuda a explicar por que o longa consegue disputar duas categorias que, historicamente, nem sempre conversam bem entre si (Best Picture e International): quando o tema encontra forma e performance marcante, a barreira da língua diminui.
Termômetro de chances: onde o filme parece mais forte
Sem fazer futurologia gratuita, dá para desenhar um mapa realista a partir do tipo de reconhecimento:
- Ator (Wagner Moura): categoria “de vitrine”, com grande exposição e debate. A presença dele entre os cinco indica que o filme foi, de fato, assistido e lembrado na votação final.
- Filme Internacional: é a pista mais óbvia de competitividade, porque a indicação já coloca o título no top 5 do mundo (na leitura da Academia) naquele recorte.
- Casting: por ser uma categoria nova, o “pioneirismo” conta — e títulos com elenco marcante tendem a dominar a conversa crítica e profissional.
- Melhor Filme: é a disputa mais dura, mas a simples presença na lista muda o patamar do filme no circuito e pode puxar votos cruzados (gente que vota no filme em uma categoria acaba “carregando” em outra).
Próximos passos até a estatueta
A partir de agora, o que decide é campanha, exibições, debates e a capacidade de o filme continuar “vivo” na conversa até 15 de março. A própria página oficial do Oscar confirma a data e o local da cerimônia do 98º Academy Awards.
Se o Brasil vai levar a estatueta, é a etapa seguinte. Mas o fato já consolidado é outro: “O Agente Secreto” transformou uma indicação em evento — e um evento em plataforma global.
