Governador do DF não compareceu ao Senado e presidente da comissão avalia convocação formal após impasse sobre representação
A Comissão Parlamentar de Inquérito que apura a atuação do crime organizado no país suspendeu a sessão prevista para esta terça-feira (3), no Senado, após a ausência do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).
O chefe do Executivo local havia sido chamado a prestar esclarecimentos, mas não compareceu pessoalmente. Em comunicação enviada à presidência da CPI, Ibaneis indicou que seria representado por integrantes da Secretaria de Segurança Pública do DF. No entanto, a comissão considerou inadequada a representação apresentada, já que quem esteve no local foi o secretário-executivo da pasta, Alexandre Patury, e não o titular inicialmente informado.
Diante do impasse, o presidente do colegiado, senador Fabiano Contarato (PT), sinalizou que deve formalizar um pedido de convocação, instrumento que transforma o comparecimento em obrigação legal.
A presença de Ibaneis passou a ser considerada prioritária após o governador ser citado em depoimento à Polícia Federal pelo banqueiro Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Segundo o empresário, encontros com o governador teriam ocorrido para tratar de negociações envolvendo ativos do banco e o BRB (Banco de Brasília).
Esta não foi a primeira tentativa de ouvir o governador. Um convite semelhante já havia sido feito em novembro do ano passado, sem que o depoimento se concretizasse.
Criada em setembro, a CPI foi instalada na esteira de uma grande operação policial realizada em comunidades do Rio de Janeiro, que resultou em mais de uma centena de mortes. O foco da comissão é mapear a estrutura, as fontes de financiamento e os métodos de atuação de facções criminosas e milícias, além de discutir propostas para enfrentamento desses grupos.
O colegiado terá 120 dias de funcionamento e um teto de gastos estimado em R$ 30 mil.
