A nova rodada da Quaest reforçou a percepção de que a eleição pode caminhar para uma disputa bastante equilibrada entre Lula e Flávio Bolsonaro. Em uma simulação de segundo turno, o petista aparece numericamente à frente, com 43%, enquanto o senador soma 40%. Como a diferença está dentro da margem de erro, o quadro é tratado como indefinido.
Mais do que os números isolados, o movimento em relação à pesquisa anterior chamou a atenção das campanhas. Lula perdeu um ponto percentual, ao passo que Flávio avançou um ponto, reduzindo a distância entre os dois. No entorno do presidente, a avaliação predominante é de cautela, sem interpretar a oscilação como uma mudança consolidada de tendência.
Parte dos aliados de Lula acompanha com preocupação a repercussão de notícias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva. Segundo relato da jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, integrantes do PT consideram a possibilidade de que o noticiário sobre investigações da Polícia Federal tenha provocado algum desgaste na imagem do presidente.
Apesar disso, a equipe petista vê elementos positivos no levantamento. Um deles é a expectativa sobre o resultado final da eleição. Mais da metade dos entrevistados, 56%, acredita que Lula será o vencedor, inclusive entre pessoas que, neste momento, não afirmam intenção de votar nele.
No campo bolsonarista, a leitura é mais otimista. A aproximação de Flávio Bolsonaro em relação a Lula é vista como sinal de recuperação após episódios que provocaram dificuldades na fase inicial da pré-campanha. Dirigentes do PL entendem que o senador conseguiu reorganizar sua posição na disputa e voltar a crescer nas pesquisas.
Enquanto os dois principais adversários concentram a maior parte das atenções, Ronaldo Caiado tenta explorar outro componente importante do levantamento: o elevado número de eleitores sem escolha definida. Na pesquisa espontânea, 51% não apontaram um candidato. A estratégia do governador é utilizar o período de propaganda eleitoral para ampliar seu conhecimento nacional e tentar converter parte desse grupo.
No cenário estimulado para o primeiro turno, Lula aparece com 38%, seguido por Flávio Bolsonaro, com 31%. Caiado e Renan Santos registram 4% cada. O levantamento, portanto, desenha uma corrida ainda fortemente polarizada, mas com espaço para mudanças caso os indecisos passem a se posicionar com o avanço da campanha.



