Integrantes do governo Lula avaliam que a atuação do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, pode estar inserida em uma estratégia mais ampla de Washington para influenciar o cenário político da América Latina e dificultar a continuidade do atual presidente brasileiro no poder.
A percepção ganhou força após a divulgação de um vídeo oficial norte-americano que resgata princípios associados à Doutrina Monroe e reforça a ideia de predominância dos Estados Unidos no continente. Na avaliação de auxiliares de Lula, a mensagem indica uma tentativa de reafirmar a região como espaço prioritário de influência de Washington.
Segundo informações atribuídas à coluna de Valdo Cruz, no g1, e à GloboNews, o governo brasileiro acompanha com atenção os movimentos da administração Trump e interpreta recentes ações diplomáticas dos Estados Unidos como parte de uma política mais assertiva para a América Latina.
Dentro dessa leitura, o Brasil ocupa posição estratégica por seu peso político e econômico, além da crescente aproximação com a China. Para assessores de Lula, a disputa entre Washington e Pequim por influência regional ajuda a explicar o interesse especial dos Estados Unidos nos rumos políticos brasileiros.
A avaliação no Palácio do Planalto é de que essa nova postura norte-americana retoma uma lógica de divisão de áreas de influência, na qual a América do Sul passa a receber atenção redobrada. Nesse contexto, ações envolvendo países como a Venezuela e declarações sobre a liderança dos Estados Unidos no continente são vistas como sinais de uma política externa mais intervencionista e de maior pressão sobre governos considerados distantes dos interesses de Washington.



